A experiência de Deus

A experiência religiosa revela de que maneira o homem percebe a divindade. Jamais podemos falar de Deus como ele é em si mesmo, e sim do modo como nós o percebemos. Nesse sentido, a ambigüidade do nume divino, fascinante e tremendo, não é atribuível apenas à realidade divina, mas também à nossa forma humana de experimentá-la.

Por outro lado, também não podemos dizer à priori que essa ambigüidade não é própria de Deus, e sim da forma humana de concebê-lo, estabelecendo, destarte, uma dicotomia entre o que percebemos da divindade e o que ela é em si mesma, entre uma experiência psicológica subjetiva e uma realidade ontológica diversa.

Só podemos falar de Deus de acordo com a experiência que temos dele, e não há um rigoroso critério de delimitação entre o que experimentamos e aquilo que Deus é em si mesmo (a precedência ontológica é reservada a Deus, mas partimos de nossa experiência subjetiva, pessoal e coletiva).

Juan Antonio Estrada - Impossível teodicéia - A crise da fé em Deus e o problema do mal

Fragmentos

Feliz aquele que não insiste em ter razão, porque ninguém tem ou todos têm.
Feliz aquele que perdoa aos outros e aquele que perdoa a si mesmo.
Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.

Que a luz de uma lâmpada se acenda, embora nenhum homem a veja. Deus a verá.

Não odeies teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo seu
escravo. Teu ódio nunca será melhor que tua paz.

Jorge Luis Borges - em "Fragmentos de um Evangelho Apócrifo".
Retirado do site de Ricardo Gondim